Cozinha Experimental do Castelo do Mau
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Aventuras, prazeres e desastres da experimentação, com liberdade e sentidos abertos.

Terça-feira, Fevereiro 10, 2004

Brócolis e arroz integral 


Essa eu já errei por excesso de brócolis e pelo uso do brócolis-ninja (aquele que vem na versão congelada, embora seja encontrável fresco também), mas hoje acertei. De qualquer maneira, minha noção de medidas é sempre muito intuitiva, então, sabe-se lá o que vai dar da próxima vez....

Do maço de brócolis (o convencional mesmo), separe 3 ou 4 pés bem fornidos de folhas e inflorescências, descarte a parte mais grossa dos talos e, depois de lavar, coloque numa travessa funda, regue com vinagre e encha de água. O vinagre é particularmente nocivo a uma série de agentes patológicos, desde seres vivos até alguns venenos químicos. Se quiser ser realmente caxias a esse respeito, enxágüe muito bem e repita o processo substituindo o vinagre por um seu oposto, o hipoclorito de sódio, que, nas proporções recomendadas pelos distribuidores para fins alimentares, resulta numa leve solução de soda cáustica. Mas se o fizer, enxágüe em dobro, ou triplo. Enfim, deixe na solução enquanto prepara o resto.
Na panela média, fogo baixo, azeite quente e um pouquinho de alho picado. Quando começar a dourar, acrescente uma colher de sobremesa de sementes de gergelim e uma de chá de sementes de mostarda branca - tampe a panela, pois as sementes estouram e voam longe.
Enquanto isso, corte um punhado de amêndoas em lâminas e depois corte as lâminas em pedaços menores. A esta altura, as sementes já devem estar todas estouradas, abra a panela e coloque as amêndoas, mais uma colherzinha de café de noz-moscada, uma pitada de pimenta branca e carocinhos amassados de duas ou três bagacinhas de cardamomo (talvez em pó fosse melhor para esse fim, mas eu não tenho). Jogue o arroz integral previamente lavado e misture. Meio copo americano daquele vinho que sobrou na geladeira, da última visita que se estendeu até vocês não quererem mais beber. Ou uma dose de brandy.
Deixe ali enquanto pica o brócolis, no sentido transversal aos talos. Terminou, distribua por cima do arroz e acrescente água até cobrir tudo - se não tiver exagerado no brócolis, será a medida certa. Não mexa. Tampe a panela e vá ler um capítulo do seu livro atual ou escrever no seu blog.
Para ver se está pronto, é como arroz comum - quando já não houver vapor saindo pelos cantos da tampa, abra e faça um buraco vertical com o cabo da colher de madeira, até o fundo da panela, e veja se ainda há água. Se não houver, está pronto. Nestas quantidades, rende para dois.
Observe que não há sal. Os sabores das amêndoas e de tão pouco cardamomo são muito sutis e o sal vai encobri-los. Se fizer questão de sal, esqueça os tais sabores, nem precisa colocar.


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Sábado, Fevereiro 07, 2004

Couve com nozes, acompanha: grão-de-bico 


Sabadão bonito, comida rápida para aproveitar melhor o dia: couve-manteiga e grão-de bico.
A couve, enrolada e cortada assim, como fatias finas de um rocambole, foi por cima do alho que refogava na manteiga com azeite. Pouco antes dela, havia colocado no refogado algumas nozes picadas, pimenta-do-reino preta e noz-moscada. Uma pitadinha minúscula de sal, e um tantinho de coentro encerraram o assunto, sendo ajudados no espalhamento por mais um gole de azeite. Sempre mexendo, por uns 3 ou 4 minutos. Depois, mais uns tantos na panela fechada, já sem fogo.
Para não ficar só com folhas, aqueci um punhado de grãos-de-bico, previamente cozidos, em azeite, salgando levemente. Só adicionei tomilho e mexi um bocado para refogar por igual.


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Terça-feira, Fevereiro 03, 2004

Torta de brócolis e soja 


Os grão de soja, previamente cozidos, já foram usados de tudo quanto é maneira. A travessa de brócolis, também cozido, está passando do tempo. E também não tem mais nada na geladeira. Ótimo, abri uma lata de tomates pelados para daí pensar o que fazer com tudo isso.
Azeite e manteiga na panela quente, alho e alecrim na panela, enquanto tiro as cabeças dos tomates - aquela partezinha mais dura onde se prende o pedúnculo do fruto. Depois de mais ou menos picados, foram para a panela, com o suco da lata junto. Depois de mexer, panela fechada para curtir.
Depois de 5 minutos, espremo os pedaços maiores de tomate contra a parede da panela. Uma colher de café de sal, uma colher de sobremesa de açúcar mascavo, meio copo de água, se pré-aquecida melhor. Mais curtição na panela fechada, enquanto pico inflorescências e folhas do brócolis - os talos maiores só são bons quando bem fresquinhos, depois fazem muita água.
Temperos agora: três colheres de café de pimenta do reino, entre branca e preta; uma pitada de cominho; uma colher de sopa de gergelim e outra de noz-moscada em pó; uma colher de chá de coentro. Junto o brócolis, umas três mãos-cheias, e um copo de requeijão ou pouco mais dos grãos de soja cozidos. Gira, gira, gira, gira. Descansa. Dois minutos.
Hora de virar massa: mais meio copo de água aquecida, uma colher de sopa de extrato de soja em pó, três colheres de farinha de trigo integral, duas colheres de farinha de trigo branca, uma colher de chá de bicarbonato de sódio. Gira, gira, gira, gira, gira até misturar todo o pó, e desligo o fogo para não queimar o fundo.
Forma untada, despejo a massa, cubro com alumínio e coloco no forno pré-aquecido, por volta de 220 graus. 20 minutos. Vou lá ver como está. Ainda molhado, tiro o alumínio. Espero mais 10. Ainda está um pouco mais molhada do que eu gostaria, mas já tem uma fina camada seca por cima e, através do vidro temperado, posso ver pedaços de folhas do brócolis ficando tostadas. Nada que uma boa colher de farinha de mandioca não resolva. Talvez, um pouco mais de farinha de trigo, na próxima.
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Hmmm nem precisou da farinha de mandioca. Ficou é apimentado. Para quem se ressente, um doce alivia a boca. Mel é o melhor.


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